50 anos num navio...

"50 anos num navio..." Pareceu uma eternidade boa, mas fiquei apenas três noites no cruzeiro "Navegante" - navio MSC Seaview, fazendo o trajeto Santos - Rio de Janeiro - Angra dos Reis - Santos, de quinta a domingo. Navio de construção italiana, comandado por uma empresa suíça, com mais de 300 anos de herança marítima. Me senti numa cena surrealista no primeiro contato com o saguão principal, cheio de espelhos e brilho, inclusive no teto, nas escadas laterais, dignas de receber os pés de rainhas e princesas. Que ambiente rico em detalhes, maravilhoso para fazer fotografias! Comecei a andar sozinha e descobri um espaço "art déco", que me fez sentir em Paris. Mais à frente, gelato e chocolates italianos. Escolhi o de pistache. Compartilhei momentos muito agradáveis com três casais e uma nova amiga, além da família Costa Amorim, de Cerquilho, que surpreendentemente estava a bordo. Com Cristina, baiana, e seu esposo mineiro, no primeiro e no último café da manhã, compartilhamos mesa, histórias, risos. Sônia, que faz aniversário no mesmo dia em que nasci, e seu esposo Miguel me acompanharam num passeio a pé até o Museu do Amanhã, seguindo recomendações da amiga Cidinha Polano, que já havia estado num cruzeiro no Rio. A psicóloga Lia, sua filha e genro, Luísa e Matheus, me receberam gentilmente em sua mesa de jantar na primeira noite e nas demais. O mais valioso dessa viagem foi ter encontrado companhia e sintonia. Com a psicóloga Eliana Golias, a Lia, ri muito. Andamos, vimos vários shows, conversamos sobre mil assuntos, rimos, rimos, rimos. Aliás, no navio se caminha muito. Bom é ter calçados confortáveis! Eu subia e descia as escalas toda hora. Muitas vezes, oito a dez andares. Esse navio tem 20 andares, mas o 17 não existe, por uma superstição italiana. Nada de elevador: fiz meus exercícios físicos o tempo todo! Nem precisei ir para a academia! O melhor desse navio foi a música ambiente. Dia e noite, música de qualidade: MPB, rock nacional. No SPA, relaxante, combinando com um chazinho. E comida o dia todo, variada. Comemos bem, até demais! Mas tudo é muito estranho, especialmente quando o navio está em alto-mar e balança. Mais ainda quando a gente está dormindo e acorda com o balanceio. Foi a realização de um sonho, dormindo e acordada! Estar uns dias num navio... Mas, capricorniana que sou, prefiro terra firme. Mesmo assim, amei a experiência e a viveria de novo, se fosse a primeira vez. Os shows principais foram impressionantes. Ambos às 18h, com um público aproximado de quatro mil pessoas. Um show no cais do Rio, somente para quem estava no cruzeiro. O segundo, no dia seguinte, no palco principal do navio, com apresentação exclusiva da diva Marisa Monte, sua voz, seus gestos amorosos, sua dança balançante como ondas, a suavidade, a gentileza tão sua... e uma chuva suave. Tudo isso havíamos experimentado no primeiro show, sem chuva, mas com a presença impactante de Ney Matogrosso, que foi aplaudido incansavelmente, de Adriana Calcanhotto e sua personagem menina Adriana Partimpim, de Arnaldo Antunes e sua voz grave, linda como a expressão facial das suas interpretações! Realizei o meu sonho do jeitinho que eu queria: com introspecção, pisar num navio antes de completar os meus 51 anos. Pois bem, hoje é 16 de dezembro de 2024 e daqui a um mês estarei pulando mais um degrauzinho de vida. Agora só me resta curtir as lembranças do "Navegante" e planejar quais serão as aventuras que farão 2025 um ano especial! P.S.: Tantos foram os bons amigos que torceram e vibraram para que esse sonho se realizasse! Gratidão a cada um de vocês! Faltou contar que cheguei em Santos um dia antes da partida do navio. Dormi gentilmente no apartamento da Ana Paula, amiga desde a época da faculdade, e da sua filha Cecília. Elas chamaram um táxi para que eu fosse no porto. Conversei os 20 minutos do trajeto com o motorista, muito simpático. Até que falei que eu sou do interior. Ele quis saber de qual cidade. Cerquilho - respondi. O motorista olhou para trás com uma cara de espanto e olhos arregalados! Pensei que ele tivesse achado o nome estranho, o que já me aconteceu tantas vezes. Falou: no ano passado morei no Di Napoli II (um bairro de Cerquilho) e ainda tenho uma tia que vive lá. Então me pergunto: Cerquilho de novo? Todos os caminhos me levam a Cerquilho! Cristiane Grando

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